Os comentaristas brasileiros raramente usam o nome oficial de um clube duas vezes seguidas. O Palmeiras, o Verdao, o Corinthians vira o Timao, o Flamengo, o Mengao, e quem só conhece o emblema perde o fio da meada em menos de um minuto.
Os apelidos não são meros enfeites. Vários deles surgiram como xingamentos e foram adotados pelos torcedores a quem se dirigiam. Saber qual é qual é útil se você acompanha o futebol brasileiro do exterior, e torna as páginas dos clubes por trás das cotas de apostas da Série A do Brasileirão na Betfair muito mais fáceis de ler.
Corinthians – Timao
O aumentativo de “time”, a palavra em português para equipe, ou seja, mais ou menos “o grande time”. O apelido aderiu ao Corinthians em 1966, quando o clube montou um elenco que incluía Garrincha e tinha a expectativa de arrasar com tudo em seu caminho. O time não conseguiu, mas o nome ficou. O Corinthians também é o “Time do Povo”, um rótulo que surgiu fora do clube e foi adotado por ele.
Flamengo – Mengão
Uma dupla abreviação. Flamengo vira Mengo, e Mengo vira Mengão, o apelido carinhoso que se espalhou pelas arquibancadas durante a grande fase do clube na década de 1970.
O outro apelido do Flamengo tem uma história mais conturbada. Os rivais usavam “Urubu”, como uma provocação racista dirigida a uma torcida que era mais pobre e mais negra do que a maioria. Em 1º de junho de 1969, os torcedores do Flamengo levaram um urubu vivo ao Maracanã e transformaram o insulto em um mascote. Hoje, ele aparece nos produtos oficiais.
Palmeiras – Verdão
O “grande verde”, em referência à camisa. O Palmeiras foi fundado pela comunidade italiana em São Paulo e usa o verde desde então. “Porco” é o apelido que tem uma história. Torcedores rivais cunharam o apelido no final da década de 1960 como um insulto. Na década de 1980, o diretor de marketing do clube, João Roberto Gobbato, incentivou os torcedores a adotarem o apelido em vez de se ressentirem dele, e o porco é agora o mascote oficial.
Santos – Peixe
O peixe, para um clube de uma cidade portuária. O Santos fica no litoral do estado de São Paulo e o nome é tão literal quanto possível, mas era usado de forma zombeteira pelos rivais muito antes de as arquibancadas da Vila Belmiro o adotarem. A mascote do clube é um peixe vestindo a camisa do Santos, e a mídia torcida usa “Peixe” como abreviação padrão; por isso, uma reportagem de jogo brasileira muitas vezes chega ao terceiro parágrafo antes que a palavra “Santos” apareça.
Galo e Raposa
Os dois grandes clubes de Belo Horizonte devem seus apelidos ao mesmo homem. O cartunista Fernando Pieruccetti, que assinava seus trabalhos como Mangabeira, é creditado por ter associado o galo ao Atlético Mineiro e a raposa ao Cruzeiro.
O Galo, o galo de briga, tinha como objetivo representar um time que não pararia de avançar. A Raposa surgiu em 1945 e foi uma piada às custas do presidente do Cruzeiro, Mario Grosso, que tinha fama de conseguir contratar jogadores antes dos rivais.
Vasco da Gama – Gigante da Colina
O gigante da colina. O Vasco da Gama construiu o São Januário em um terreno elevado no Rio em 1927, e na época era o maior estádio das Américas. Esses dois fatores juntos – a magnitude e a inclinação – deram ao clube um apelido que sobreviveu ao próprio recorde. O Vasco não é mais o maior estádio do país há quase um século, mas o apelido permanece inalterado.
Coritiba – Coxa
O apelido do Coritiba é o exemplo mais direto de como um insulto pode mudar de lado. Em um clássico de 1941 contra o Atlético Paranaense, diz-se que um torcedor rival gritou “Coxa Branca” — coxa branca — para o time do Coritiba, que na época era composto em grande parte por jogadores de ascendência alemã. A torcida do Coritiba adotou o apelido em 1969 e, desde então, o time é conhecido como Coxa.
O restante dos participantes de 2026
O Athletico Paranaense é o “Furacão”, em referência a uma sequência de vitórias esmagadoras na década de 1940. O Grêmio é o “Imortal”, uma frase retirada do hino do clube e reforçada por noites como a da decisão do acesso de 2005 no Estádio dos Aflitos, em Recife, que os torcedores do Grêmio ainda chamam de “Batalha dos Aflitos”.
O Internacional é o “Colorado”, em referência à camisa vermelha. O Botafogo é conhecido tanto como “Fogão” quanto como “Glorioso”. O Bahia é o “Esquadrão de Aço”. O Fluminense é o “Tricolor das Laranjeiras”, em homenagem ao bairro de onde o clube surgiu, e o São Paulo é o “Tricolor Paulista” ou o “Soberano”.
O Red Bull Bragantino é a “Massa Bruta”. O Remo é o “Leão Azul”, nome que remonta a uma vitória de 1944 sobre o São Cristóvão. O Chapecoense é o “Verdeão do Oeste”, o grande verde do oeste. Mirassol e Vitória são ambos “Leão”, e é por isso que as emissoras brasileiras precisam especificar a qual leão se referem.
Por que isso importa em um dia de jogo
As reportagens sobre os jogos, notícias das equipes e atualizações sobre lesões na imprensa brasileira usam o apelido com muito mais frequência do que o nome do clube, e um erro de tradução pode fazer com que você perca informações importantes. Qualquer pessoa que fizer uma aposta no Brasileirão com base em coberturas em português precisa saber que o Verdão e o Porco são o mesmo clube, e que uma manchete sobre o Leão pode se referir a qualquer um dos dois.
Acertar no vocabulário abre novas possibilidades na cobertura. Errar e você vai ler a lista de lesionados da “Raposa” achando que se trata do Atlético Mineiro.






